O desejo que move os poetas não é ensinar, esclarecer, interpretar. O desejo que move os poetas é fazer soar de novo a melodia esquecida.
Rubem Alves

sábado, 15 de outubro de 2016

Uma singela homenagem àqueles que inspiram e continuarão a inspirar....

Ser Professor
(Mônica Clemente)


Ser professor:
Algo que se contradiz,
Algo que te faz feliz. Feliz?

Ser professor:
É não entender os desígnios que a profissão impõe
É não entender o desinteresse que aparece de não sei de onde
É não entender a fraqueza que nem sempre esconde
A desilusão que nem sempre insiste em aparecer.

É ser iludido no dia a dia
É ser confundido pela rebeldia
Ou ser surpreendido todos os dias?

Ser professor:
Ele sabe que seu aluno precisa de atenção
Para o aprendizado de qualquer situação
Seja leitura ou escrita
Seja a lógica da física
Ou o beabá que tudo transforma
Que faz tudo tomar forma

Ele vive momentos de emoção
Com a transformação da infância em vida
Com a transformação da juventude em ação
E a vida adulta chegando querida
Para viver tanta transformação.

Professor:
Guerreiro destemido!
Nesse seu dia tão esquecido
Estará sempre nos eternos corações
De seres humanos que sabem
O verdadeiro valor de ser feliz.


Feliz Dia dos Professores!!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

TRABALHO DE LITERATURA

Trabalho de Literatura – 3º ano Ensino Médio – 2016

Profª Mônica

Pesquise as principais informações dos itens abaixo e os mantenha em seu caderno para consulta posterior. Não é necessário ser uma pesquisa longa, apenas os itens mais importantes.

Nota: 1,0 (um) ponto

Data de entrega: 29 e 30 de Setembro.


Escolas Literárias do século XX

1. Pré-Modernismo
Momento histórico ou contexto histórico.
Principais características.
Autores e obras.

2. Vanguarda Europeia
Momento histórico ou contexto histórico.
Movimentos principais seus principais artistas: cubismo
futurismo
dadaísmo
expressionismo
surrealismosmo

3. Modernismo em Portugal
Momento histórico ou contexto histórico.
Principais características
Autores e obras
Fernando Pessoa e seus heterônimos

4. Semana de Arte Moderna
Momento histórico ou contexto histórico.
Antecedentes
Revistas
Movimentos

5. Modernismo 1ª fase
Momento histórico ou contexto histórico.
Principais características.
Autores e obras.

6. Modernismo 2ª fase
Momento histórico ou contexto histórico.
Principais características.
Autores e obras.

7. modernismo 3ª fase ou Pós-Modernismo
Momento histórico ou contexto histórico.
Principais características.
Autores e obras.
Arte e ditadura militar

8. Produções ou Tendências Comtemporâneas
Momento histórico ou contexto histórico.
Principais características.
Autores e obras.

9. Irrealismo
Momento histórico ou contexto histórico.
Principais características.

Autores e obras.

Bom trabalho a todos!!

domingo, 11 de setembro de 2016

A HORA DA ESTRELA COMO PROPOSTA DIDÁTICA

A grandiosidade desse romance e a hábil capacidade artística de quem o escreveu fazem com que esta seja uma excelente proposta didática. No entanto, antes de darmos vazão ao propósito que ora se firma, convém nos atermos a um questionamento bastante relevante: num contexto educacional, sobretudo voltado para turmas do ensino médio, como têm sido as aulas de Literatura?
Sabemos que a disciplina integra um dos componentes curriculares, mas as obras literárias, as quais compõem o planejamento do educador, será que têm sido aproveitadas e exploradas tais quais merecem? Será que a finalidade da leitura não se atém a somente uma mera obtenção de pontos? E os resumos? Ah! Pode ser que esses estejam em plena ascensão, pois se é para “atingir”, pelo menos, a média mínima, não faz mal algum.
Mediante esse fato lastimável, o qual, sem sombra de dúvidas, tende a prevalecer na sala de aula, faz-se necessário que algumas propostas sejam seriamente repensadas, no sentido de materializar os reais objetivos da disciplina em questão – como, por exemplo, o de promover a habilidade reflexiva por parte dos educandos. Para tanto, o modo como os procedimentos didáticos são conduzidos se torna fator preponderante.
Partindo desse princípio, o artigo em questão tem por finalidade apresentar algumas sugestões válidas e, para tal, o enfoque principal faz referência ao romance A hora da estrela, de Clarice Lispector. 
Como passo inicial, consideramos essencial a apresentação biográfica da autora, de modo a fazer com que os alunos se situem, familiarizem-se com a personalidade artística que lhes é apresentada. Em seguida, o educador pode conduzi-los à biblioteca no sentido de verificar quantos exemplares estarão disponíveis, haja vista que será determinado um tempo “x” para a leitura da obra na íntegra. Caso o número não atenda a classe por completo, torna-se importante aconselhá-los a se deslocarem para outras bibliotecas, disponíveis na cidade onde residem. O importante é ninguém ficar sem ler.  
Reservar pelo menos dois dias da semana para a discussão de aspectos pertinentes à obra conduz os aprendizes ao perfeito entendimento do enredo proposto pela narrativa. Algumas perguntas, nesse instante, revelam grande eficácia, tais como: que ponto da narrativa lhes chamou mais a atenção? O que acham dos personagens? Qual foi o propósito da escritora ao escrever um romance desta natureza?
Partamos agora para a análise propriamente dita: para começar, uma boa sugestão é que o educador dê ênfase na diferença existente entre o autor e o narrador. Vejamos, pois, um fragmento que bem explicita tal questão:
Proponho-me a que não seja complexo o que escreverei, embora seja obrigado a usar as palavras que vos sustentam. A história – determino com falso livre arbítrio – vai ter uns sete personagens e eu sou um dos mais importantes deles, é claro. Eu, Rodrigo S. M. Relato antigo, este, pois não quero ser modernoso e inventar modismos à guisa de originalidade. Assim é que experimentarei contra os meus hábitos uma história com começo, meio e 'gran finale' seguido de silêncio e chuva caindo.
Diante do fragmento ora exposto dá para se ter uma ideia que o narrador se define como um narrador-personagem – Rodrigo S. M. Teria ele alguma semelhança com a pessoa de Clarice? Para ilustrar também tal discussão, atentemo-nos para outro fragmento:
Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás – descubro eu agora – também não faço a menor falta, e até o que eu escrevo um outro escreveria. Um outro escritor sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas.
Podem, portanto, existir semelhanças entre a escritora e Rodrigo S. M., principalmente quando há menção do vocábulo “escritora”.
Passando para a personagem principal do romance – Macabéa. A discussão pode ganhar ainda mais força por meio de um caloroso debate, a começar pela seguinte pergunta: quantas Macabéa existem por aí? Será que a construção de tal personagem teria algo relacionado à posição ideológica da autora em relação ao contexto social da época em que viveu?
O educador pode ressaltar que, assim como Graciliano Ramos, e tantos outros representantes de nossas letras, que, por meio de um tom regionalista, tão bem souberam explorar questões voltadas para o cenário social, certamente Clarice seguiu a mesma linha de raciocínio. Assim, revelou por meio da protagonista aquele nordestino retirante que parte para outras regiões em busca de melhores condições de vida. No entanto, Macabéa parece ser diferente da maioria, parece um tanto mais complexa.
Momento esse sugestivo para o educador enfatizar as características que nortearam os posicionamentos ideológicos dos escritores da geração de 1945. É só olhar para Guimarães rosa com seu esplendoroso Grande Sertão Veredas.
Os alunos talvez se surpreendam e se apaixonem pela Literatura quando entenderem as reais razões expressas pelo tracejar do perfil de Macabéa. É bom que o professor revele que um dos aspectos que demarcam a temática de Clarice é exatamente a questão do transcendentalismo, ou seja, a relação que se estabelece entre o ser e seu mundo interior.
Outra questão que pode ser explorada de forma singular é a alienação do ser humano junto às coisas que o rodeiam, assim como, por exemplo, o fato de Macabéa gostar somente de Coca-Cola e em seus momentos de “glamour” reascender sempre o desejo de imitar as estrelas dos filmes de Hollywood. Talvez por essa “alienação” é que a estrela que cada um tem dentro de si, assim como Macabéa também a tinha, deixe-se ofuscar, pois foi preciso morrer para que a estrela de mil pontas (tal aspecto representa os sonhos da personagem, antes omitidos dentro de si mesma) aparecesse. Assim sendo, voltemos a mais um fragmento: 
Se iria morrer, na morte passava de virgem à mulher. Não, não era morte pois não a quero para a moça: só um atropelamento que não significava sequer um desastre. Seu esforço de viver parecia uma coisa que se nunca experimentara, virgem que era, ao menos intuíra, pois só agora entendia que mulher nasce mulher desde o primeiro vagido. O destino de uma mulher é ser mulher. Intuíra o instante quase dolorido e esfuziante do desmaio do amor. Sim, doloroso reflorescimento tão difícil que ela empregava nele o corpo e a outra coisa que vós chamais de alma. (...)
Nesta hora exata, Macabéa sente um fundo enjoo de estômago e quase vomitou, queria vomitar o que não é corpo, vomitar algo luminoso. Estrela de mil pontas.  (grifos nossos)
Explorados todos esses elementos, para fechar “com chave de ouro”, seria interessante uma dramatização da narrativa lida. Já imaginou uma aluna da classe vestida de Macabéa? Vale a pena registrar esse momento, de modo a não ficar somente no álbum da memória, não acha?

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
in: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/a-hora-estrela-como-proposta-didatica.htm

quinta-feira, 5 de maio de 2016

COMO USAR TEXTOS DE APOIO EM UMA REDAÇÃO

Olá pessoal!

Conforme a solicitação de vocês, segue anexo os links dos textos para leitura sobre Internação Compulsória para a produção da Redação.

Boa leitura!

Entrevista, pag. 1
Entrevista, pag. 2
Entrevista, pag. 3

Internação Compulsória

Internação à Força

quinta-feira, 14 de abril de 2016

TRABALHO DE RECUPERAÇÃO CONTÍNUA E PARALELA


Bom dia, pessoal.

Conforme combinamos, segue o link abaixo para realizar o trabalho de recuperação contínua e paralela para complementação da nota.

O trabalho poderá ser entregue de duas maneiras:

1. Trabalho escrito (físico) que deverá ser recolhido pelos monitores da sala e serem entregues até amanhã, 15/04, sexta-feira, ou
2. Entregar pelo email, "monniduka.professora@gmail.com".

Segue o link abaixo para acesso ao trabalho:

RECUPERAÇÃO CONTÍNUA E PARALELA - 1º BIMESTRE

segunda-feira, 4 de abril de 2016

ATIVIDADE SOBRE ROMANTISMO

Olá Pessoal!
Segue abaixo o link para as atividades sobre Romantismo, conforme acordado na última aula.
Abraço a todos e bom trabalho.

ATIVIDADES ROMANTISMO

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

PSICOLOGIA E COMPORTAMENTO

Eliane Brum Fala Do Despreparo Da Geração Mais Preparada


“A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada”

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falha não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.”
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras na Revista Época.)

In: http://www.portalraizes.com/28-2/ [consultado em 27/01/2016]