O desejo que move os poetas não é ensinar, esclarecer, interpretar. O desejo que move os poetas é fazer soar de novo a melodia esquecida.
Rubem Alves

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

DISCURSO DIRETO E INDIRETO

A NARRAÇÃO E A TROCA DE DISCURSO
No discurso direto, o narrador introduz o personagem, geralmente, com um verbo de elocução e termina a frase com dois pontos. Em seguida, faz um novo parágrafo e coloca um travessão, seguido da fala do personagem. Já, no discurso indireto, o narrador conta o que o personagem disse.
Muitas vezes é conveniente transformar um discurso direto em indireto. É o que fazemos, normalmente, ao reproduzir um diálogo que presenciamos, com nossas palavras.
Veja como ficam algumas passagens de narrativas de nossa literatura, originalmente escritas em discurso direto, transpostas para o indireto.

Discurso direto
Discurso indireto
Aires pôs água na fervura, dizendo para o bacharel:
— Não vale a pena, moço; o que importa é que cada um tenha as suas idéias e se bata por elas, até que elas vençam.
(Machado de Assis, in Esaú e Jacó)
Aires pôs água na fervura, dizendo para o bacharel que não valia a pena. O que importava é que cada um tivesse as suas idéias e se batesse por elas, até que elas vencessem.


Observe, em negrito, as modificações realizadas no texto, resumidas no quadro abaixo:

Discurso direto
Discurso indireto
Uso de dois pontos, parágrafo e travessão, depois do verbo de elocução.
Ausência de pontuação depois do verbo de elocução, que vem seguido do conectivo que.
Verbos no presente do indicativo.
Verbos no perfeito ou imperfeito do indicativo.

A transformação de discurso, portanto, requer atenção especial no emprego dos tempos verbais, pontuação e algumas palavras como pronomes, advérbios e conectivos.

TEMPOS VERBAIS
Ao transformar o discurso direto em indireto, transcrevemos algo que alguém já disse. Logo, no discurso indireto, o tempo verbal será sempre passado em relação ao discurso direto. Observe alguns casos no quadro abaixo.

Discurso direto

Discurso indireto

Presente do indicativo

Pretérito perfeito ou imperfeito do indicativo

Pretérito perfeito do indicativo

Pretérito mais-que-perfeito simples ou composto

Imperativo

Pretérito imperfeito do subjuntivo

Futuro do presente do indicativo

Futuro do pretérito do indicativo

PRONOMES E ADVÉRBIOS
Pronomes e advérbios também são classes gramaticais que requerem alterações. Veja o exemplo a seguir.

Discurso direto

Discurso indireto
Justina olhou para Elza e disse:
Hoje não saio de casa.
— Não compreendo essa sua atitude.

Justina disse a Elza que aquele dia não sairia de casa e Elza respondeu que não compreendia aquela atitude dela.
Hoje (advérbio de tempo)

aquele dia
essa (pronome demonstrativo)

aquela
sua (pronome possessivo)

dela

Observe, ainda, que, além dos tempos verbais, pronomes e advérbios, é preciso estar atento à coesão textual, empregando corretamente os conectivos que unirão as falas que compõem o diálogo.

DISCURSO INDIRETO RELATADO
Na passagem do discurso direto para o indireto, é preferível que se liberte o máximo possível do texto original, fazendo um resumo com suas próprias palavras. É importante manter o significado primitivo do texto e corrigir os eventuais erros existentes.
Muitas vezes, e isto é comum nos vestibulares, é dado um discurso direto contendo erros ou vícios de linguagem, que devem ser eliminados na transposição para o discurso indireto.


EXERCÍCIOS
1.         Nos trechos abaixo, transforme o discurso direto em indireto e vice-versa, conforme o caso.
a)         “— Não furtei nada! — bradava o preso detendo o passo. É falso! Larguem-me!” (Machado de Assis, in Esaú e Jacó)


b)         “Ao jantar Aurélia disse ao marido:
— Há mais de um mês que estamos casados. Carecemos pagar nossas visitas.” (José de Alencar, in Senhora)


c)         “— Se quiser me chamar, basta apertar a campainha — diz o funcionário abrindo a porta ao novo cliente que entra pisando firme, majestoso.” (Lygia Fagundes Telles, in Seminário dos ratos)

          
d)         “Ofélia perguntou devagar, com recato pelo que lhe acontecia:
— É um pinto?
Não olhei para ela.
— É um pinto, sim.” (Clarice Lispector, in Felicidade clandestina)


PROPOSTA 1

O inglês Marc Lewis, de 28 anos, está prestes a se mudar para uma casa de mais de 1 milhão de dólares em Londres, onde vai morar com a namorada, Rachel. Poderia estar numa propriedade rural no sul da França, plantando uva e vivendo sem preocupações. Dinheiro não falta. Sua fortuna é estimada em 14 milhões de dólares. Mas não vai optar pela vida mansa, pois é viciado em trabalho. Dono de uma cadeia de restaurantes e de uma empresa de marketing esportivo, Lewis lançou há duas semanas um livro que se tornou fenômeno de vendas na Inglaterra. Em Sin to Win (Pecar para Vencer), defende que o segredo do sucesso é cometer os sete pecados capitais. Para ele, orgulho, preguiça, luxúria, gula, avareza, inveja e ira são características de pessoas bem-sucedidas. Lewis, que não esconde a expectativa de que o filho, Luc, de 5 anos, aprenda bem a lição, ficou milionário aos 20 anos. Em 2000, teve a conta bancária turbinada pela venda da Web Marketing, sua agência de publicidade, por 30 milhões de dólares. Lewis falou a VEJA de Londres, onde se prepara para uma série de palestras para executivos.

Veja – Por que o senhor diz que os sete pecados capitais ajudam a ter sucesso na vida profissional?        
Lewis –
Orgulho, preguiça, luxúria, gula, avareza, inveja e ira, os sete pecados capitais, são nossas maiores fontes de motivação. São as coisas que nos dão inspiração para o sucesso. Todas as pessoas bem-sucedidas são orgulhosas, querem ser as melhores, anseiam por novas conquistas, não estão satisfeitas com o que possuem. Agem com paixão, não perdem nenhuma oportunidade e concordam que é importante encontrar a maneira mais fácil de atingir os objetivos. Por tudo isso, precisamos exaltar e usar os sete pecados capitais. Não temê-los.

PROPOSTA 2 

UFPR – Em entrevista à revista IstoÉ de 12 de outubro de 1994 (p.04), o compositor Caetano Veloso faz o seguinte comentário sobre sua idade:

IstoÉ: Ter 52 anos assusta?
Caetano: Pesa. Penso que estou ficando velho .Às vezes, me surpreendo: já tenho 52 anos! Assusta. Outras vezes, vejo o meu filho grande, o Moreno. Vejo o pequeno, o Zeca, os dois brincando e fico tranqüilo, sentindo essa coisa de homem velho. É bom, mas a juventude é mais alegre. Quando se é jovem, a gente tem uma porção de grilo, fica com pressa, sente muita agonia, mas é alegre. O velho que está inteiro tem muitas satisfações, muitas coisas ele já conseguiu resolver. Mas não adianta, não tem aquela alegria básica.

                O texto publicado está em discurso direto e apresenta uma organização característica da linguagem oral. Tomando como ponto de partida o trecho de entrevista citado, escreva um parágrafo, com o máximo de 10 linhas, expondo o ponto de vista do entrevistado. Utilize o discurso indireto e linguagem culta formal.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PROVAS

Caríssimos:

Bem, todos vocês sabem que na próxima semana teremos a "semana de provas", de 12 a 16 de setembro. Para obter bons resultados, sabem que precisam dar uma revisada nos conteúdos. Para quem esqueceu, segue abaixo o que revisar.
Boa prova a todos!!

2o. EM
Apostila de produção de texto - elementos da narrativa
Apostila de literatura - Romantismo, Realismo e Naturalismo
Livro - Memórias Póstumas de Brás Cubas
OBS.: Vale lembrar que as apostilas são apenas um ponto de partida e que é sempre bom ampliar os estudos com outras fontes (livros, revistas, sites, etc).

3o. D
Artigo de opinião
Vanguarda Europeia
Complemento verbal
Complemento nominal
Agente da passiva
Transitividade

OBS.: Vale lembrar que as apostilas são apenas um ponto de partida e que é sempre bom ampliar os estudos com outras fontes (livros, revistas, sites, etc).

Até a prova e bom fds a todos.